A revista britânica i-D dedica todos seus esforços para agradar seus fãs que adoram cultura jovem, moda, música e arte. É uma revista relativamente jovem e tem uma forte reputação no que diz respeito à “treinar” e lançar constantemente novos talentos; um grande nome da fotografia, Terry Richardson, deve muito de sua fama hoje ao trabalho divulgado pelas páginas da i-D.
Curiosidade: se você reparar, o logo “i-D” é um smile piscando o olho, por isso muitas das capas da revista são com modelos piscando.

A edição de dezembro está maravilhosa e tem seu conteúdo todo voltado para temas que remetem muito à mágica e imaginação.
Um editorial em específico chamou muito minha atenção. Com o título de “Wizards, Witches & Magic“, fiquei encantada pelo conceito. As fotos parecem ter levado todo um tratamento de pós-revelação, tem-se a impressão de que as fotos tiveram partes (cabelos, bocas, roupas, acessórios) que foram pintadas com aquarela. O resultado final faz deste photoshoot um entre milhões.
Fotografado por Ellen Rogers, traz todo um climão místico. Matthew Josephs se encarregou do styling. Adorei os detalhes, o colar com caveirinhas, cruzes, o piercing ligado por uma corrente ao alargador, e é claro, o óculos de lente redonda.


Outro editorial que recheia a revista é “They Love Happily ever after” (analogia ao final dos contos de fadas onde se diz “e viveram felizes para sempre”). Lara Stone belíssima e Jamie Dornan posando para as lentes de Alisdair McLellan. Fotos bem sensuais, corpos esculpidos, amazing.

“Controvérsia vende mais que sexo”, alguém duvida?
A desigualdade racial é um problema bastante enraizado e que também é muito presente no mundo da moda. Sirva de exemplo o caso da cota para negros nas passarelas aqui no Brasil.
Nesses últimos dias viu-se bastante a repetição do “blackface” (pessoas pintadas com a cor preta) em editoriais, o que muitos defendem ser “arte” para outros é mero rascismo.
Para começar, a revista Vogue Francesa deste mês trouxe a modelo holandesa Lara Stone toda transformada para um editorial de 14 páginas fotografado pelo famoso Steven Klein e estilizado por Carine Rotifeld. Como se a fogueira já não estivesse pegando fogo absurdamente, a história por trás do photoshoot enaltece as curvas de Lara, um corpo que vai completamente contra essa onda de vagas modelos anoréxicas.
A obsessão da indústia pelo blackface fica evidente num novo editorial que chegará às bancas em novembro da V Magazine. Fotografada por Mario Sorrenti , a modelo Sasha Pivovarova (esquerda), contrasta com Heidi Mount.

Claro que a vontade de muitos ao fazer este tipo de ação é enaltecer a beleza negra, agregar cultura àqueles que já se acostumaram com os estereótipos europeus. Mas, a meu ver, continua sendo ofensiva a escolha de modelos brancas para um trabalho que deveria ser de modelos negras.
Traços brancos com tinta negra continuam a ser traços brancos.
De Londres à Milão. Caos, correria, último toque. Apreciação.
Domenico e Stefano fazem jus à sua reputação. Ambos tornaram-se símbolos ao trazer à tona o underwear as outerwear: o sutiã de renda que aparece, o corselet, a renda…a lingerie que deixou de ser simplesmente a vulgar “roupa de baixo” para tornar-se uma roupa para se usar por fora, para mostrar-se sem ter medo. As palavras femenilidade e sensualidade andam juntas no dicionário dos dois.
A primavera-verão de 2010 da Dolce e Gabbana foi um tributo à beleza clássica voltada para o sex-appeal italiano e ao estilo siciliano de se aproveitar a vida. Contrastes entre proporções, tecidos, transparências, alfaiataria, estampas e formas.
Quando ficava clara a predominância de uma cor no look a maneira mais fácil de sair do senso comum é investir em texturas diferenciadas. Muita renda, modelagens diferentes, houve até trabalho em crochet! Domenico e Stefano brincaram também com tamanhos, investindo em comprimentos que se estendessem para além do joelho e sem ficar com cara de velha.
Nos looks pretos, também houve o mesmo jogo, e até uma versão atualizada do vestido-clichê de can-can (primeira modelo da direita). Alfaiataria impecável, acessórios diferenciados: havia colares cheios de “medalhinhas de ouro” – bem ciganos – e outros com crucifixos, pulseiras, bolsas em trabalhadas no tricot, e uma ampla gama de sapatos. Um mais lindo que o outro.
Apostou-se muito em combinações entre estampas, que quando apenas vistas, poderiam até parecer cafonas, mas que nas mãos dos estilistas ganharam um ar de sofisticação incomparável. Até o próprio trabalho entre as texturas de uma mesma estampa dão a impressão de se tratarem de duas ou mais estampas completamente diferentes. Sem moderação para os ousados.
Não é a primeira vez que o desfile da Dolce & Gabbana é acessível pela internet. Mas uma coisa que nunca tinha sido vista até o momento foi: mostrar ao vivo a desordem que é o backstage, os últimos detalhes, a chegada dos convidados (editores de moda e celebridades), toda essa movimentação louca que faz parte de um desfile. Ver isso antes do desfile (havia telas no espaço da passarela onde se passavam imagens de toda a maluquice que ocorria no backstage) provavelmente só aumentou a ansiedade de quem esperava para ver o resultado final, que de maneira alguma deixou à desejar.
Para uma modelo, a qualidade de seu portifólio pode ser essencial na hora de conseguir um trabalho. Além dele, as agências costumam investir em showcards (algo como “postais” onde estão contidas as informações mais relevantes a respeito de suas modelos: altura, medidas, cor de olhos e cabelos).
Para conseguir um maior destaque, muitas agências tem passado mais tempo investindo e reformulando conceitos do que deve ser um showcard e como conseguir, através deles, que os clientes se sintam mais atraídos e optem por suas modelos. Duas ações que achei interessantíssimas, e que se encaixam nesse perfil inovador e destemido são as das agências Women Paris e a One Management.
A Women Paris chama a atenção pelo apelo “Comic Book” (lembrando muito o estilo de filmes como Sin City, Spirit e 300): alto contraste, fotos em branco e preto, letras coloridas e marcantes, manchinhas de tinta amarelas, e um retângulo que lembra os espaços de fala de uma história em quadrinhos mesmo.


Já a agência One Management fez apologia à capa da Harpers Bazaar de abril de 1965, com a modelo Jean Shrimpton clicada por Richard Avedon e toda trabalhada no pop-feeling da época, além de claro, a influência da era Kennedy – da era espacial – representada pelo estranho capacete utilizado pela modelo na época e reproduzido pela One. Uma homenagem super bem executada, e que ao mesmo tempo não copia a original de forma escancarada e sem-graça, mas transforma a essência em algo completamente distinto. Simples e chic.